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O Músico, o Violino e a Rua

 

 

Esse é um violinista de São Paulo que toca nas ruas do Rio de Janeiro há alguns anos. Ele é um grande amigo meu, chama-se Marcos e tem um grande talento, mas infelizmente é muito pobre, e vive de ganhar trocados que alguns transeuntes jogam no estojo do violino que fica na calçada enquanto o Marcos toca seu instrumento indiferente ao barulho ensurdecedor dos ônibus e carros que vão passando e praticamente impedem de ouvir as notas que soam de seu belo violino avermelhado (dado por um músico rico que estava passando e se apiedou da situação do Marcos)

 

Fiquei amigo dele um dia em que eu estava em um ônibus passando em Copacabana em um dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2010. Ou seja, as ruas da cidade completamente desertas, pois em época de Copa todo mundo se enfia dentro de casa ou fica nos bares assistindo a esse lucrativo circo do Futebol...

 

Foi quando eu vi o Marcos sozinho em um canto da calçada, tocando uma música de Bach, e ninguem em volta ouvindo ou mesmo passando, ninguem em vários quarteirões de distância...me lembro que apenas um pombo estava parado na frente dele... talvez curioso com aquele som, ou talvez apenas ou esperançoso de ganhar alguns grãos de milho ou pão, como todos os pombos parecem estar quando se aproximam de pessoas.

 

Quando vi isso, não consegui ficar indiferente...botei a cabeça para fora da janela e fiquei vendo aquela cena indo embora cada vez mais longe, a medida que o ônibus corria adiante. O violinista sozinho, tocando para uma rua deserta. Apenas porque estava fazendo o que ama. e a ele bastava. Não interessava futebol,o que os outros estavam fazendo, não interessava nada, o mundo que se explodisse. O importante para ele era estar fazendo o que ama.

 

Poucos dias depois, passei por lá e comecei a puxar assunto com esse violinista, e foi então que soube que ele veio de são paulo tentar a vida no Rio, e a única coisa que sabia fazer e amava fazer era tocar seu violino. Por isso, vive até hoje tocando por uns miseros trocados nas ruas de Copacabana.

 

Ele me disse que o sonho dele era tocar numa orquestra, ter um emprego de violinista, sair da favela onde mora... Mas infelizmente, nem sempre os sonhos são tão fáceis de se realizar para algumas pessoas que não tiveram as mesmas facilidades que nós, que nunca passamos fome, nossos pais nunca deixaram de nos dar estudo, nem nunca moramos em um barraco cheio de goteiras em uma favela miserável.

 

Esta cena do violinista pobre tocando para uma rua deserta nunca vai me sair da cabeça. Pois para mim, que sou músico, e trabalho na área artística, não há nada mais comovente que ver alguém que vem de longe, de cidadezinhas longínquas para tentar a vida aqui na cidade grande, e mesmo passando por muitas privações materiais, vem assim mesmo tentar realizar seu sonho, de ser um grande músico, um grande ator, ou para tentar realizar simplesmente sua vocação (mesmo porque sabemos que nem todos conseguem realizar. Na verdade poucos conseguem.)

 

Ao contrário de tantos artistas que se tornam prostitutos, e só fazem arte em troco de muito dinheiro, eu admiro em primeiro lugar esses artistas de rua, pois estes são verdadeiros. A vocação deles é o próprio sangue que alimenta seu corpo e sua alma, se deixarem a vocação de lado, eles morrem pouco a pouco.

 

NUNCA DEIXE SUA VOCAÇÃO DE LADO. NÃO HÁ DINHEIRO QUE SUBSTITUA FAZER O QUE AMA E O QUE ESTÁ NO SEU CORAÇÃO.

 

(texto de Roberto Carelli publicado no blog Universo Futuro - foto por Harold Emert)

 

proibida a reprodução do texto e da foto sem citar os autores

 

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